segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Para governo do Pará, há desinteresse das teles em banda larga popular

sexta-feira, 28 de agosto de 2009, 18h34

O Estado do Pará modificou a sua legislação de recolhimento do ICMS em 27 de abril para adequá-la ao convênio nº 38 do Confaz que isenta o recolhimento do tributo para os serviço de banda larga prestados a menos de R$ 30. Embora a redução do ICMS seja uma reivindicação do setor há anos, em cinco meses de vigor do benefício no estado do Pará nenhuma empresa apresentou proposta. Fonte ligada à secretaria de Fazenda do estado diz que tem a impressão de que as empresas não se interessaram pelo benefício. "Ou não se interessaram ou não entenderam", diz a fonte.

Até aqui o estado do Pará foi o único que alterou sua legislação do ICMS para atender ao convênio nº 38. Inicialmente o convênio o foi criado para os estados do Pará, São Paulo e Distrito Federal, mas meses depois o estado do Rio Grande do Sul também aderiu. No entanto, esses estados ainda não regulamentaram a medida.

As empresas alegam que a simples desoneração do ICMS sobre a venda de serviços não resolve os problemas de investimento em um produto de baixo custo, pois há ainda a necessidade de investimentos em equipamentos e rede, cujos elementos não estão desonerados. Também alegam que existe um grande risco de canibalização da base caso sejam ofertados pacotes populares de banda larga.

Helton Posseti

http://www.teletime.com.br/News.aspx?ID=145256

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Volume de PCs deve se manter em 12 milhões, estima Abinee.

Por Fatima Fonseca
24 de agosto de 2009

Apesar da queda de 17% no mercado de PCs, no primeiro semestre deste ano, que encerrou com 2,66 milhões de unidades vendidas, contra 3,174 milhões de unidades em igual período de 2008, a expectativa da Abinee é que este segmento mantenha no ano o mesmo volume de vendas de 2008, 12 milhões de unidades. O vice-presidente da Abinee, Hugo Valério, destacou que, no segundo trimestre deste ano, já houve uma reação no setor, com um crescimento de 2% no faturamento, em relação ao segundo trimestre de 08, ante uma queda de 16% no primeiro trimestre, na comparação com igual período de 2008.

Dos 2,66 milhões de PCs comercializados no primeiro semestre deste ano, 68% foram desktops e 32% notebooks. A estimativa da Abinee é que o setor de informática feche 2009 com faturamento de R$ 35 bilhões, repetindo o mesmo desempenho do ano passado.

http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12926&Itemid=105

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Na banda larga móvel, Arpu não é o indicador mais importante

terça-feira, 25 de agosto de 2009, 17h17

Operadoras móveis de todo o mundo enfrentam uma equação difícil de ser solucionada. Como tornar lucrativo seus serviços de banda larga móvel? No passado o indicador Arpu (média de receita por usuário) mostrava bem como andava o negócio, porque os recursos de rede não eram tão consumidos com os serviços tradicionais como voz e SMS. Com o advento da banda larga móvel, o volume de dados tem uma pressão enorme no custo com rede e, no fim das contas, na receita com o serviço. De acordo com o estudo Maximizando o Lucro por Megabyte da Acision, o SMS gera aproximadamente US$ 260 de receita por MB, enquanto que a banda larga móvel gera US$ 0,07. "A banda larga móvel coloca uma pressão nos recursos de rede que as operadoras nunca viram antes. Arpu, portanto, não é o indicador mais importante para banda larga móvel, é apenas parte dele. De agora em diante, lucro por megabyte é o indicador dominante na banda larga móvel", diz o estudo.

As operadoras móveis fizeram um bom trabalho para atrair novos clientes, especialmente com os planos de tarifa flat com limite de download. O estudo mostra que a conseqüência desse rápido avanço no número de clientes é a queda do lucro por megabyte. Na batalha pelo cliente os preços caíram bastante e o limite de uso das franquias foi ampliado. A Acision estima que esse limite tenha dobrado para 4 Gb no último ano. Como conseqüência disso, o lucro por megabyte caiu de 60% a 70% em um ano. "E como não há mecanismos dentro dos modelos de preço sobre onde, quando e como os usuários podem consumir o serviço, as operadoras móveis não têm ferramentas para prevenir congestionamento durante os horários de pico", diz o estudo.

O consumo de banda, segundo a Acision, deverá dobrar ano a ano. Essa quantidade de tráfego vai causar sérios problemas de congestionamentos, resultando insatisfação do usuário. "Encontrar uma maneira de lidar de forma eficiente com essa enorme quantidade de dados será a principal prioridade das operadoras", diz o estudo.

Pré-pago

A companhia acredita que a cobrança pré-paga será peça-chave para a adoção da banda larga móvel pelo mercado de massa. Na Europa, por exemplo, estima-se que as assinaturas pré-pagas representarão cerca de 59% de todas as conexões de banda larga móvel em 2014. Hoje esse número está em 8%. Para prever congestionamentos de rede as operadoras devem adquirir capacidade para controlar a quantidade de usuários simultâneos e o tráfego que eles geram em horários de pico. A banda larga móvel está se transformando. De um serviço de nicho, voltado para o mercado corporativo em um serviço de massa, o que poderá gerar volume e receita e torná-lo lucrativo em um futuro não muito distante, sinaliza o estudo. Mesmo com o impacto da crise econômica, o estudo da Acision considera que a banda larga móvel vai passar o SMS como maior fonte de receita de dados.

Helton Posseti

http://www.teletime.com.br/News.aspx?ID=144176

Abinee pede prorrogação de incentivos da Lei do Bem

25 de August de 2009

A Abinee vem mantendo gestões junto ao governo com o objetivo de prorrogar os benefícios da Lei do Bem, que vence no dia 31 de dezembro deste ano. Criada em 2005, a medida, que isenta PIS e Cofins dos computadores, permitiu a redução dos preços dos equipamentos, o aumento da produção e o aumento da formalidade no segmento. "Mesmo com a desoneração de um tributo, o governo continuou arrecadando, pois aumentou a base a partir da diminuição da informalidade", diz o diretor da área de informática da Abinee, Hugo Valério.

Segundo ele, a medida trouxe geração de empregos de qualidade no setor, além da inclusão digital. "Hoje, o computador deixou de ser um artigo de luxo e passou a ser uma ferramenta de eficiência", destaca. Dados da Abinee indicam que, em 2004, um ano antes da implementação da lei, o mercado oficial de PCs foi responsável pela produção de cerca de 1 milhão de unidades, 27% do mercado total (4 milhões) de computadores no país. Com o impulso da isenção do PIS e Cofins, a produção oficial chegou a cerca de 8 milhões de unidades dos 12 milhões comercializados em 2008, aumentando para 66% sua participação no mercado total. Mesmo com a crise, a área espera repetir o mesmo desempenho em 2009. Entretanto, segundo Hugo Valério, se a Lei do Bem não for estendida, o segmento poderá ser mais afetado do que com a crise. "Esta isenção é tão importante quanto a redução do IPI para o setor automotivo", compra. (Da redação, com assessoria de imprensa)

http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12939&Itemid=105

Aneel aprova regulamento que permitirá oferta de banda larga pela rede elétrica

Rodrigo Sales

Da receita proveniente do aluguel da infraestrutura para o PLC, 90% deve ser revertida para a modicidade tarifária.

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou nesta terça-feira, 25, as regras para utilização da tecnologia conhecida como Power Line Communications (PLC) no país. O sistema utiliza a rede de energia elétrica como meio de transporte de sinais de internet, vídeo e voz. A agência prevê que, com a implantação da tecnologia, será possível novos usos para as redes de distribuição de energia elétrica, sem a necessidade de expansão ou adequação da infraestrutura existente.

Pelas regras aprovadas pela Aneel, as distribuidoras não poderão oferecer a internet banda larga diretamente aos consumidores. Para tal, deverá ser criada uma empresa subsidiária para oferta do serviço. Ao disponibilizar a rede de distribuição, a concessionária deverá dar ampla publicidade por um prazo mínimo de 60 dias para a manifestação de outros interessados. A escolha do prestador do serviço deverá ser divulgada em até 90 dias após o pedido.

A distribuidora também passa a ter total liberdade para utilização da tecnologia PLC nas atividades de distribuição de energia e na aplicação da mesma em projetos sociais. Já na utilização comercial, as distribuidoras terão que seguir as regras previstas nos contratos de concessão.

Outro aspecto importante refere-se à apuração da receita obtida pelas concessionárias de energia com o aluguel dos fios para as empresas que explorarão o serviço. A previsão é que de 90% da receita obtida com esse aluguel seja revertida para a redução das tarifas de eletricidade. Esse critério já é utilizado no aluguel de postes para passagem dos cabos da telefonia.

O superintendente de regulação dos serviços de distribuição da Aneel, Carlos Mattar, destacou que ‘’se não houver uma cláusula contratual específica, as receitas do compartilhamento podem ser medidas a cada ano, nos reajustes’’. Mattar afirmou ainda que a maioria dos contratos prevê que isso ocorra somente no período de revisão, que varia em períodos entre três e cinco anos.

O início das operações em cada região dependerá das distribuidoras locais de energia. Os interessados em explorar o serviço de PLC deverão procurar a Anatel e pedir a autorização. A agência já regulamentou o uso dos equipamentos para as redes de PLC.

http://www.telecomonline.com.br/noticias/aneel-aprova-regulamento-que-permitira-oferta-de-banda-larga-pela-rede-eletrica

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Positivo avalia que vendas de PCs devem retornar aos níveis de 2008

sexta-feira, 21 de agosto de 2009, 16h33

Após atingir recorde trimestral de volume de vendas com a comercialização de 442,5 mil unidades de PCs entre abril e junho deste ano, a Positivo Informática entende que a recuperação do mercado já chegou e avalia que as vendas de PCs no Brasil devem voltar aos padrões de 2008 ainda neste ano.

"No terceiro trimestre estamos vendo que as vendas estão voltando aos mesmos níveis de 2008. Acreditamos que aos poucos o mercado vai retornando do normal", afirma Ariel Szwarc, diretor de relações com investidores e vice-presidente financeiro da Positivo, em entrevista exclusiva a TI INSIDE Online.

O executivo acredita, entretanto, que as vendas no mercado brasileiro de PCs neste ano serão inferiores às registradas em 2008. De acordo com Szwarc, as vendas da indústria de PCs registraram desempenho muito deficitário nos dois primeiros trimestres deste ano. "Para as vendas de PCs deste ano igualarem ou serem pouco superior às de 2008, no terceiro e, principalmente, no quarto trimestre as vendas terão de ser extremamente positivas", diz Szwarc.

Sobre o fato de os preços dos PCs não terem reduzido e acompanhado a desvalorização do dólar frente ao real, o executivo observa que um dos motivos é que os fabricantes absorveram o aumento do dólar entre o fim de 2008 e o primeiro trimestre deste ano e repassado de forma gradativa esse aumento aos preços dos equipamentos para não afetar as vendas.

Szwarc salienta ainda que os fabricantes estão terminando justamente neste momento esses repasses de preços. E este é um dos fatores que está impedindo as quedas nos preços dos computadores. "Achamos que teremos um circulo mais normal de preços daqui para frente", avalia.

O executivo pondera, no entanto, que o fator preço não será o principal impulsionador das vendas de PCs, mas sim o maior acesso ao crédito por parte dos consumidores.

Sabendo que a projeção para o mercado brasileiro de PCs neste ano não é das melhores, a Positivo foi em busca de ampliar o seu campo de atuação para tentar conquistar receitas em outros mercados e começa a dar o primeiro passo no seu processo de internacionalização. Ela apresentou uma proposta para disputar uma licitação na Argentina que prevê a compra de 250 mil netbooks. Szwarc, entretanto, não acredita em uma vitória da companhia neste leilão.

Victor Hugo Cardoso Alves

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Internet chega a 65 milhões de brasileiros em julho

quinta-feira, 20 de agosto de 2009, 11h50

O número de brasileiros com acesso à Internet em qualquer tipo de ambiente (residências, trabalho, escolas, telecentros, bibliotecas ou lan houses) chegou a 64,8 milhões em julho, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope Nielsen Online, nesta quinta-feira, 20. Em junho, esse o número era 62,3 milhões de pessoas, um aumento de 4% na comparação mensal.

Considerando apenas os indivíduos com acesso à web no trabalho ou nas residências, o número é de 44,5 milhões. Deste total, 36,4 milhões de usuários se conectaram à Internet a partir desses ambientes, o que representa um crescimento de 10% sobre os 33,2 milhões de internautas ativos registrados em junho.

Entre os internautas residenciais, o número de usuários ativos chegou a 27,5 milhões de pessoas, um crescimento de 7,4% em relação aos 25,6 milhões do mês anterior e de 8% sobre os 23,7 milhões de julho de 2008. O número de pessoas que moram em domicílios em que há a presença de computador com internet é de 40,2 milhões.

O tempo de navegação em residências em julho atingiu a marca de 71 horas e 30 minutos, incluindo aplicativos, e de 48 horas e 26 minutos, considerando somente navegação em páginas. Com esse resultado, o Brasil se mantém na liderança como o país com o maior tempo de uso de internet por usuário, seguido, pela ordem, por Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão.

Considerando apenas os usuários residenciais ativos, o tempo de navegação foi de 30 horas e 13 minutos em julho, marca inédita, o que representa aumento de 9% ante junho e 21% sobre julho de 2008.

Da Redação

http://www.teletime.com.br/News.aspx?ID=143436

Minicom prepara estudos sobre custos do novo PGMU e propostas para banda larga

quinta-feira, 20 de agosto de 2009, 19h47

Nas próximas semanas, dois estudos importantes devem ser concluídos pelo Ministério das Comunicações. Um é um estudo analisando os custos reais das propostas feitas pela Anatel para a ampliação das metas de universalização colocadas no novo PGMU, já submetido a consulta pública e que integrará os contratos de concessão a partir de 2011. O Minicom quer saber se existe garantia de equilíbrio econômico financeiro ao se propor a implantação, pelas empresas, de uma rede óptica de 2,5 Gbps nos municípios com mais de 30 mil habitantes. Esse é um dos pontos mais polêmicos do novo PGMU. As empresas alegam que estas e outras metas custariam mais de R$ 13 bilhões. Os primeiros estudos da Anatel indicavam um custo de R$ 1 bilhão, mas segundo informações de fontes familiarizadas com o caso, os estudos mais recentes da agência já teriam chegado ao dobro desse valor. O trabalho do Minicom tem sido no sentido de estabelecer os parâmetros de análise com base nos estudos que já foram feitos na reforma do PGMU que trocou metas de PSTs por backhaul. Depois disso, será possível comparar o levantamento da Anatel e das empresas e concluir qual deles está mais próximo da realidade.

Banda larga

Outro documento importante que está sendo concluído pelo Ministério das Comunicações é uma espécie de diretrizes para uma política de banda larga no país, a exemplo doque tem sido feito por outros países. Esse trabalho deve ser concluído pela equipe técnica do Minicom nos próximos 15 dias, para então ser submetido a outros órgãos do governo. Uma das preocupações do Ministério das Comunicações é saber se a infraestrutura de telecomunicações do país é suficiente para dar suporte à demanda de serviços de banda larga e à competição hoje e no futuro.

Paralelamente, sabe-se que a Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto trabalha em um estudo semelhante.

Samuel Possebon

http://www.teletime.com.br/News.aspx?ID=143462

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Classe C emergente e bem equipada

07/08/2009 - 14:08 - ATUALIZADO EM 07/08/2009 - 23:06

A popularização da tecnologia está criando novos hábitos e perspectivas. A seguir, cinco perfis da população conectada
FRANCINE LIMA

De uns anos para cá, milhões de brasileiros que antes pertenciam às camadas mais pobres da população subiram de vida e começaram a fazer uma revolução no consumo. Com a queda dos preços e as formas de pagamento mais acessíveis, equiparam seu cotidiano com computador, internet banda larga, micro-ondas, telefone celular com câmera, bluetooth e MP3. Segundo o Instituto Data Popular, eles já respondem por 62% dos domicílios conectados à rede e 53% dos clientes de sites de compras. Com isso, aproximaram-se do comportamento das classes A e B. Em alguns aspectos, foram além. A melhor surpresa dessa ascensão das famílias de baixa renda foi que suas dificuldades iniciais diante da tecnologia se transformaram numa vantagem. Ao procurar entender como a tecnologia funciona, driblar o “informatiquês” e o inglês dos programas de computador e encontrar as formas mais baratas de usar os recursos em seu favor, a classe C aprendeu a buscar soluções mais adequadas para seus problemas. E melhorou de vida.
Tudo isso foi observado por agências de pesquisa e publicidade interessadas em estudar o novo comportamento dos emergentes. A agência CO.R Inovação, de São Paulo, passou meses abordando pessoas na rua e visitando famílias em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Recife, em Curitiba e em Porto Alegre. Depois de cerca de 500 entrevistas, concluiu que uma das consequências mais importantes do acesso da classe C à tecnologia foi a valorização do ensino pelas mulheres. A pesquisa mostrou que o primeiro computador numa casa de periferia normalmente é comprado para os adolescentes fazerem as tarefas escolares. Com o tempo, se transforma no computador da família. Segundo Mari Zampol, diretora da CO.R Inovação, as mulheres que foram mães muito jovens e interromperam os estudos agora estão se sentindo livres para voltar à escola, aproveitando inclusive a conveniência barata dos cursos a distância pela internet. “Quando descobriram que podiam estudar sem sair de casa, foram atrás de diplomas de níveis técnico e superior, cursos de idiomas e outras oportunidades de crescimento profissional”, diz Mari. Os jovens também são grandes protagonistas dessa inclusão digital. Mesmo sem saber inglês e com menos estudo, estão usando melhor os recursos do telefone celular que os jovens das classes A e B. “Esse pessoal se vira muito melhor em situações de crise”, diz Renato Meirelles, publicitário e fundador do Data Popular. A seguir, cinco novos perfis populares criados pela tecnologia.

Uma consequência importante do acesso da classe C à tecnologia foi a valorização dos estudos



O farejador
O número do telefone celular de Claudio Silva circula de boca em boca entre os moradores de Osasco, na Grande São Paulo. Novatos na compra de computador e na contratação do serviço de internet banda larga a cabo, eles querem saber qual é a melhor configuração, o preço mais justo, o melhor custo-benefício: “Tem gente que me liga da loja e me pede para falar com o vendedor”. Claudio, de 41 anos, entende do assunto desde que trabalhava como instalador numa empresa de telefonia. De lá para cá, fez cursos, abriu uma empresa do ramo, passou a prestar serviço na região e tornou-se uma espécie de guru para quem ainda não domina o mundo da informática. Veio dele a ideia de compartilhar com o irmão sua assinatura de acesso à internet. O cabo está ligado ao computador de Claudio, mas um roteador na casa do irmão, no mesmo terreno, capta o sinal sem fio. Os dois dividem o custo ao meio. Ao saber do macete, outros vizinhos quiseram copiar a estratégia. E lá vai ele ensinar. Segundo as pesquisas da CO.R Inovação, a classe C está cheia de Claudios. São pessoas que desvendaram logo as tecnologias e tornaram-se referência na vizinhança. São formadores de opinião que ensinam os outros a escolher, comprar e usar os produtos.




A nova estudante
A dona de casa Rosa Maria Silvestre da Silva, de 51 anos, ainda “cata feijão” no teclado do computador. Quase não manda e-mail e muito de vez em quando visita os sites de seus programas de TV favoritos. Mas já colhe os frutos da presença da internet em sua vida. Mãe de três jovens adultos, todos com curso superior concluído ou em andamento, conheceu a internet por causa dos trabalhos acadêmicos dos filhos. E percebeu logo a diferença entre sua formação escolar, interrompida na antiga 4a série, e a quantidade de conhecimento que as gerações de hoje estão adquirindo com a ajuda da tecnologia. “O tempo passou. Vi que o que eu sabia era pouco”, diz Rosa. Ainda usa o Google apenas como dicionário. Mas, com a ajuda da filha mais velha, que não sai da internet, achou um curso supletivo e outro de informática, para perder o medo de mexer com arquivos. Rosa quer voltar a trabalhar como cabeleireira – e não parar mais de aprender.




A bem informada
Com acesso garantido a uma conexão de banda larga com a internet, todo tipo de informação chega mais fácil e rapidamente. A classe C também usa essa facilidade para defender seus direitos e planejar os deslocamentos pela cidade. É o caso da empregada doméstica Marcia Almeida. Na cozinha da patroa, Marcia ouve músicas e busca receitas novas na internet usando seu netbook, um pequeno computador portátil que ganhou da dona da casa e é conectado à internet por rede sem fio. Durante o dia, elas se falam pelo Skype. À noite, Marcia se fecha em seu quarto para assistir aos seminários da igreja evangélica transmitidos ao vivo pela internet ou para ir às compras. Para ela, a pesquisa pela internet é uma economia de tempo. Sem precisar tomar ônibus nem faltar ao trabalho, já consultou pacotes de viagens e agendou um atendimento para seu pai num posto da Previdência Social. Recentemente, comprou um perfume numa loja eletrônica usando o cartão de crédito. “Achei o preço melhor e ainda recebi em casa.”




A autônoma
Cristina de Barros Moreira virou dona de casa de novo, mas provisoriamente. Embora tenha largado o emprego há poucos meses para dedicar-se ao filho que está para nascer (seu sexto), ela não pretende ser dona de casa para sempre. Quando era mais jovem, queria ler e ter informações, mas tinha poucos recursos. Só quando arrumou um emprego conseguiu realizar seu sonho. “O único jeito de ter internet em casa era trabalhar fora”, diz. A partir daí, a vida ganhou novas perspectivas. Fez curso de informática, juntou dinheiro, comprou um computador para a família e deu um jeito de cuidar dos cinco filhos sem sair do escritório. Enquanto ela e o marido (na foto, ao fundo) trabalhavam fora, Cristina orientava as crianças sobre como preparar o lanche em casa usando o micro- -ondas. Como não podia telefonar usando a linha do escritório, instalou o Skype e deu um celular para cada um dos filhos mais velhos. Hoje, não abre mão dessa autonomia. Planeja abrir o próprio negócio e contar com a participação da família toda.




O descomplexado
Um celular na mão, internet rápida e muita curiosidade igualaram o padrão de vida dos jovens da classe C ao das patricinhas e dos playboys. Todos fazem fotos e vídeos e os compartilham em redes sociais, que também usam para consumir música, moda e qualquer assunto de seu interesse. João Carlos Rodrigues dos Santos, de 15 anos, não tem um smartphone, mas consegue transformar seu aparelho um pouco mais simples (e bem mais barato), comprado numa promoção, num transmissor de dados poderoso. Além de câmera VGA, MP3-player e bluetooth, seu celular tem vários programas baixados da internet. João vive fuçando na rede atrás de recursos que possa agregar a seu aparelho. Tudo de graça. Quando ele descobre uma vantagem nova, logo transmite pelo bluetooth para os amigos. Inclusive as trilhas dançantes das matinês da Vila Olímpia, área nobre de São Paulo, distante da periferia onde mora. A viagem de ônibus até a balada é longa, mas para ele vale a pena. “Prefiro o povo da Vila Olímpia. É mais decente.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI86776-15228,00-CLASSE+C+EMERGENTE+E+BEM+EQUIPADA.html

Lan houses são negócios independentes

Por Lia Ribeiro Dias
19 de agosto de 2009

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), do Ministério da Ciência e Tecnologia, acaba de divulgar o relatório final de uma pesquisa sobre Centros Públicos de Acesso Pago no Brasil, que são as populares lan houses e cybers cafés. De acordo com o relatório, 69% dos 689 estabelecimentos que responderam a pesquisa são negócios independentes; os demais desenvolvem a atividade junto a estabelecimentos comerciais (como papelarias e lanchonetes) ou em residências.

Embora o relatório ressalte que a pesquisa não tem uma amostra estatística que indique o peso das lanhouses em cada estado – a pesquisa foi respondida por associados da Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID) que se interessaram em participar --, o relatório destaca que ela é representativa da forma de funcionamento e do tipo de serviço prestado por essas unidades. A lanhouse típica tem 13 máquinas, com menos de dois anos de uso, e espaço para abrigar até mais seis equipamentos, funciona entre 11 a 17 horas por dia, todos os dias da semana, atende de dois a oito usuários por hora, a maioria jovens, que ficam conectados na internet entre uma e duas horas por dia. O tipo de uso do computador mais frequente está ligado à educação/treinamento (ensino a distância, elaboração de currículos, trabalhos escolares) e a jogos.

Embora a pergunta se o empreendimento é legal ou informal não tenha sido incluída no questionário, porque seria muito difícil avaliar a veracidade da resposta, o IBICT, por outras pesquisas realizadas sobre o seu patrocínio, como o censo de lanhouses feito no Maranhão, sugere, no relatório, que uma parte expressiva do universo de lanhouses deve atuar na informalidade. Entre as sugestões apontadas pelo relatório, está o estudo de medidas para apoiar a formalização de lanhouses, com simplicação das exigências para se abrir a empresa e outras facilidades. Um passo fundamental para que as lanhouses venham a ser objeto de políticas públicas, caminho defendido pelo IBICT tendo em vista a sua importância para a inclusão digital, como observa Anaiza Caminha Gaspar, coordenadora do Mapa da Inclusão Digital.

http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12875&Itemid=105